O antes:
Entrevista>> Pela terceira vez JOSÉ PESEIRO está a treinar no Médio Oriente, agora no Al Wahda dos Emirados Árabes Unidos. Mas não se considera um desistente e está apenas a recuperar forças para voltar a Portugal ou a outra grande liga europeia. Como vinca a O JOGO, é ambicioso e acredita no seu valor
“A MIM EXIGEM MAIS DO QUE AOS OUTROS”
Sente-se um benfiquista com o Sporting no coração e que valoriza as conquistas internacionais do FC Porto. Reconhece ter um discurso ambicioso e que, por isso, nunca lhe perdoam os maus resultados. Mas garante que não vai mudar
Após o jantar, no longínquo Dubai, José Peseiro esteve ao telefone com O JOGO durante quase uma hora. O ruído atrás dele era grande, mas as suas ideias foram bem vincadas. A conversa foi sobre a carreira e os planos para um futuro que, por agora, vai ser nos Emirados Árabes Unidos.
Já chegou a confessar que o Benfica era o seu clube antes de ser profissional de futebol. Gostava de um dia ser treinador do Benfica?Cresci numa família de benfiquistas e não escondo isso, mas sou profissional. O Sporting, por exemplo, também é um clube que ficou no meu coração. Há quem diga que foi uma experiência que não correu bem, mas eu acho que tive sucesso.
Está a dizer isso porquê? Ficou mais sportinguista do que benfiquista?Não posso dizer isso. Sou profissional e quando se é profissional não se pode ter simpatias. O que interessa é o clube onde se trabalha. Não sou portista, mas valorizo o que o FC Porto tem feito. Tem sido a melhor equipa em Portugal e tem representado o país ao mais alto nível.
Também gostaria de treinar o FC Porto?Quem não gostaria? Em Portugal, gostava de treinar um clube para ser campeão, qualquer um. O que posso dizer é que sou um benfiquista que tem o Sporting no coração e que valoriza e reconhece a hegemonia do FC Porto nos últimos 30 anos, bem como as suas conquistas além-fronteiras. Mas sou mais sportinguista do que quando entrei. E, quando lá treinava, estava-me marimbando para o Benfica, pelo contrário, queria era que o Benfica perdesse.
Como tem acompanhado a atual campanha do Sporting?Está no caminho certo. Tem postura, filosofia e ambição. Não tem ainda a maturidade e a experiência de Benfica e FC Porto, porque é uma equipa muito jovem e vem de uma época frustrante, mas a gestão das emoções tem sido excelente e isso deve-se ao trabalho do treinador e do presidente.
Está a gostar do trabalho do Leonardo Jardim? Há condições para lutarem pelo título até ao fim?O Sporting tem é de conseguir gerir o balneário de forma a que os jogadores não sintam pressão. Se conseguir fazer isso é candidato. O Benfica e o FC Porto são superiores em termos de experiência e de maturidade, mas daqui a dois ou três anos o Sporting também pode conseguir igualá-los nesse aspecto, se continuar a fazer este bom trabalho. Se conseguirem ser imunes à pressão, sentirem que não têm tanta responsabilidade, podem chegar l á. De qualquer forma, o FC Porto e o Benfica têm outro tipo de argumentos e recursos e, se o Sporting for campeão, será uma grande derrota para o Benfica e para o FC Porto.
E quanto ao Braga? Sente que quando lá esteve a fasquia estava mais alta do que agora?O Braga teve uma grande transformação no plantel. Uns jogadores saíram porque quiseram ou tiveram propostas e outros porque os dirigentes quiseram que eles saíssem. Estão a renovar o plantel, é um projeto novo. Mas a mim sempre exigiram mais do que aos outros. No Sporting e no Braga exigiam tudo ao Peseiro. Isso é bom, serem mais exigentes do que em relação aos outros. Não me deram nenhuma tolerância nem num lado nem no outro, mas isso também é sinal de que reconhecem o meu valor e de que criei expectativas. E se eu as criei é natural que as pessoas peçam mais...
Isso ainda não o levou a ter vontade de mudar o discurso, a criar menos expectativas?Continuo com o mesmo discurso, porque é um discurso que também cria autoestima e ambição. Se não fosse isso, teríamos nós chegado onde chegámos? Agora há uma exigência menor no Braga e ainda bem, mas comigo não houve essa tolerância, ainda que por minha responsabilidade. Ganhei lá o primeiro título do milénio e o segundo da história do clube, mas não chegou. Fiquei contente, apesar de tudo.
Não pensa mudar esse discurso no futuro?Não me vou encolher, nem esconder, nem proteger. Sempre fui ambicioso e talvez por isso fui da III Divisão à I. Com ambição e com objetivos. Será que sonho demasiado alto quando jogo todos os jogos para os dominar?
É um tipo de futebol que agrada aos adeptos e até aos próprios jogadores, ou não?Agrada, sim. Mas, às vezes, sintome triste pelas críticas, até de alguns sócios, que queriam era jogar para ganhar 1-0, mesmo jogando mal. O Peseiro é reconhecido por jogar bem e jogar ao ataque.
Qual a sua equipa favorita na história do futebol?O Ajax dos velhos tempos e a seleção da Holanda. Atualmente é o Barcelona que mais me tem marcado.
E o depois (para vários foristas):
Marco Silva
“Gostaria de continuar em Portugal”
Desejado pelos benfiquistas, não tem intenção de emigrarMarco Silva não comenta a paixão que inspira nos adeptos do Benfica, mas revela o que estes podem interpretar como uma boa notícia: em fim de contrato com o Estoril, quer continuar em Portugal.
Como viu a mobilização de adeptos do Benfica para tê-lo na Luz?Os adeptos são livres de terem desejos e opiniões. Podia dizer que estava satisfeito com este interesse, mas respeito os outros treinadores e o clube onde estão. Não quero que aconteça aos outros o que não quero para a mim.
Alguma vez foi contactado por outro clube?Não, nunca fui.
Está em fim de contrato. Continuará no Estoril na próxima época?Ainda é cedo para falar, e isso não é o mais importante. Estou focado no Estoril. Quando chegar a altura, vou falar com o presidente, com quem tenho uma relação muito aberta e foi quem apostou em mim como treinador.
Gostava de continuar em Portugal ou no estrangeiro?A ideia seria continuar por Portugal. Claro que nunca posso dizer não ao estrangeiro, há projetos bemaliciantes. Mas, tendo em conta a forma como as coisas têm corrido no Estoril, gostaria de cimentar a minha carreira no meu país.
O JOGO