“TIVEMOS MOMENTOS DE ALTA QUALIDADE”
JESUALDO FERREIRA>>Terminado o estágio no Algarve, o treinador regressa a Braga com a firme convicção de que a equipa se apresenta afinada, exercendo pressão alta sobre qualquer adversário, como tanto aprecia
Os empates a zero com o Bétis e o Hull City, enquadrados no estágio que terminou ontem no Algarve, não defraudaram as expectativas de Jesualdo Ferreira. Atento a outros pormenores para além dos resultados, entrando aqui as vitórias sobre o Sheffield Wednesday e o Farense, o treinador sentiu a equipa a crescer e, sobretudo, a sufocar os adversários logo à saída da defesa – será essa a matriz de jogo do novo Braga. “Uma coisa é falarmos da qualidade do nosso trabalho, outra é falarmos de resultados. Apetece-me dizer que estamos lá e vamos continuar este trabalho, introduzindo aos poucos algumas alterações no sistema, que passarão por situações de maior imprevisibilidade para os adversário e de maior segurança para nós”, explicou, embora reconhecendo dificuldades no capítulo da concretização. “Temos de melhorar no momento final do nosso trajeto ofensivo, embora consolidando bem o nosso processo defensivo. Para defender bem, tem de ser com todos”, reforçou.
Bem focado no objetivo de “jogar para os lugares de cima”, Jesualdo Ferreira garante que, “na maior parte dos jogos”, a equipa exerceu “uma pressão bem alta”, revelando “grande capacidade para ganhar a bola”. “Só temos de prosseguir esse trabalho”, apontou. A exceção à regra verificou-se na partida disputada em Isla Cristina. “Isso não se verificou tanto contra o Bétis, que foi quinto classificado do principal campeonato espanhol, mas também só dispôs de uma grande oportunidade para marcar. A esta hora, os jornalistas espanhóis estão a perguntar ao treinador por que razão isso aconteceu”, argumentou, centrando-se no teste com o Hull City, de regresso à Premier League, para dar conta do “domínio arsenalista”, o que “não é nada fácil” face aos “jogadores altos e agressivos” da equipa inglesa. Mais interessado em fazer “avaliações na globalidade” do que em discorrer sobre resultados, o treinador garante até que a equipa foi crescendo de dia para dia, apesar das cargas físicas aplicadas nos treinos. “O que se passou durante este período de dez dias de estágio, com quatro jogos, foi duro: jogámos mais do que treinámos. E sempre que treinámos, foi com alguma intensidade, embora dentro dos ‘timings’ certos para recuperar. Se assim não fosse, teríamos sempre dificuldades nos jogos e eu acho que a equipa jogou com ritmo. Contra o Hull City, por exemplo, jogámos com mais ritmo do que na partida com o Farense. Isto significa que a equipa ganhará maior capacidade com o volume de trabalho que ainda temos pela frente”, estimou, dizendo-se encantado com os “momentos de grande qualidade” que a equipa proporcionou. “Também tivemos alguns menos brilhantes, mas contra o Hull City, por exemplo, dominámos completamente na primeira parte uma equipa da Premier League. E tivemos ocasiões para ganhar”, apontou.
“Conto com Douglão e Barbosa”
Enquanto não for negociado, Douglão está em pé de igualdade com os outros jogadores do plantel. Sem mencionar a primeira parte dessa certeza, Jesualdo Ferreira fez questão de esclarecer que o central não foi utilizado nos últimos dois jogos por mera precaução. “Conto com todos os jogadores que foram para o Algarve, caso contrário não estavam cá. Não jogou contra o Bétis e o Hull City? Bom, mas entrou nos dois anteriores, só que depois teve um problemazinho e, por questões de segurança, foi preservado. Isso também aconteceu com o Hélder Barbosa, porque esteve lesionado”, recordou. Opções à parte, o treinador assume, porém, que já definiu algo mais do que uma espinha dorsal para a equipa. “Tentámos escolher uma ideia de equipa e de jogadores adequada aos nossos métodos. A partir daí partimos para diferentes formas de trabalho, entrando aqui um sistema de jogo alternativo. Foi por isso que, em quatro jogos, foi possível ver quase sempre a mesma equipa, embora com pontuais alterações, isto apesar de alguns jogadores terem chegado mais tarde, como foi o caso do Rúben Micael. Tivemos poucas lesões e isso foi ótimo”, enalteceu.
Prever Alan e Micael juntos é “precoce”
A recorrente coexistência de Alan e Rúben Micael em jogos da pré-época pode ser pura ilusão. Por mais que pareçam compatíveis, dando maior pendor ofensivo ao meio-campo do Braga, será ainda cedo para tirar conclusões. “Ainda é precoce dizer isso. Tive de definir uma base de trabalho consistente para transmitir harmonia à equipa. A partir daí, outros jogadores, pela sua versatilidade, podem entrar nessa estrutura ou até mesmo alterá-la, mas vamos ser uma equipa difícil de controlar”, prometeu Jesualdo Ferreira. Centrando-se no desvio de Alan para o meio-campo, o treinador só vê vantagens. “O Braga pode ganhar um médio com grande capacidade para ter a bola e criar espaços. Pela forma de tocar a bola, pela leitura que faz dos jogos e por ter sido um ala, pode flanquear o jogo, o que é útil a jogadores interiores, que não podem ter apenas movimentos verticais. Para além disto tudo, é um jogador de grande experiência e carisma”, assinalou.
REGRESSO DE AVIÃO AO FIM DO DIA
Um treino de manhã, à porta fechada, no relvado do Ria Park, em Almancil, assinalou o fim do estágio no Algarve, iniciado há dez dias. A tarde serviu para descansar e, ao princípio da noite, o grupo embarcou no avião para o regresso a Braga. A equipa retoma os trabalhos esta tarde no Estádio AXA. Os próximos jogos particulares serão contra o Ourense (30 de julho) e o Norwich (2 de agosto).
Kléber é fechado amanhã por 1 milhão
NEGOCIO>>Mudança do atacante para os arsenalistas já está apalavrada entre os dois clubes e os últimos detalhes serão tratados depois do regresso do FC Porto da Colômbia.
A transferência de Kléber do FC Porto para o Braga está presa por detalhes. Os dois clubes já chegaram a um entendimento verbal sobre os principais pontos do negócio e, nesta altura, tudo o que falta é mesmo passá-lo para o papel. Ao que O JOGO apurou, essa reunião deverá acontecer amanhã, depois de Pinto da Costa e Antero Henrique, presidente e vice-presidente dos dragões, chegarem da Colômbia, onde os campeões nacionais realizaram esta madrugada mais um jogo, frente ao Millonarios . Os arsenalistas deverão pagar cerca de um milhão de euros por uma percentagem do passe do avançado, cujos direitos económicos estavam até agora divididos entre a SAD azul e branca e o banco BMG. Enquanto a mudança para o Braga não é oficializada, ninguém ligado a Kléber quer falar sobre o assunto. O JOGO contactou na noite de ontem Carlos Neto, o empresário que representa o brasileiro, mas este fechou-se em copas. “Não sei de nada”, atirou o agente antes de desligar repentinamente o telefone. Afinal, o segredo ainda continua a ser a alma do negócio, embora a saída do atacante do Palmeiras, no qual jogou por empréstimo desde janeiro, há muito seja certa, o que levou os arsenalistas a iniciarem conversações com o FC Porto. Depois de ter dado nas vistas no Marítimo (2010/11), Kléber transferiu-se para o Dragão com o objetivo de ser o suplente de Falcao. No entanto, a saída do colombiano acabou por lhe criar uma pressão suplementar, algo com que nunca conseguiu lidar. Vítor Pereira concedeu-lhe poucas oportunidades para jogar e isso fez mesmo com que aceitasse voltar ao Brasil, no início deste ano, para representar o Palmeiras, uma experiência que se viria a revelar um fracasso. O atacante passou muito tempo lesionado e não foi além dos 11 jogos em todas as provas disputadas pelo Verdão (Paulistão, Copa Libertadores e Série B), fazendo apenas dois golos (ASA e Santos).
ELDERSON DEVE CHEGAR HOJE
Autorizado a apresentar-se somente após o estágio no Algarve, Elderson poderá ser a novidade no único treino previsto para hoje. As férias do internacional nigeriano começaram mais tarde devido à participação na Taça das Confederações e o seu futuro dificilmente passará por Braga, por ter apenas mais um ano de contrato. O Norwich é o clube mais empenhado na contratação do lateral-esquerdo, cobiçado também por Besiktas e Estugarda.
O JOGO