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artigo DM: o maniqueismo
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cardoso
  artigo DM: o maniqueismo
« em: 27 de Dezembro de 2006, 23:13 »
No século III viveu na Mesopotâmia um profeta chamado Mani ( ou Manes) que pregou uma nova doutrina: partindo da ideia de que todos os seres humanos encerravam em si uma dualidade entre o bem e o mal, Mani propunha que todos os homens e todas as religiões se unissem no único propósito de fazer triunfar o bem sobre o mal. Claro está que a História de Mani acabou mal; foi condenado à morte e todos os seus seguidores foram exterminados. Porquê? Porque aos homens não basta que lhes digam: “a tua religião é boa”. É preciso que lhes mostrem que a sua religião é boa e todas as outras são más. Não há meio termo nem conciliação possível.
Para a História ficou o termo “maniqueísmo”, ainda que desvirtuado. Hoje, em vez de uma brilhante doutrina religiosa e filosófica, o maniqueísmo designa um dos maiores vícios que o ser humano pode ter. E é no mundo do futebol que ele se evidencia com maior clareza.
O futebol é do domínio das emoções, todos nós o sabemos. A racionalidade nem sempre sobrevive às paixões. E quando se encara o futebol com fervor clubista, maior é o ataque à razão. A paixão tolda-nos a vista e tornamo-nos profundamente maniqueístas, não no sentido que Mani defendia mas na pior acepção do termo. Se aqui escrevi que A. Salvador não devia ter proferido aquelas palavras no final do jogo com o Grashoppers, logo algumas mentes “iluminadas” me carimbaram com o rótulo de anti-Salvador. É claro que quando elogiei os seus actos de gestão, eu era um sacro-santo defensor do presidente.
Para a maioria dos adeptos de futebol não há meios termos: ou se é “dos nossos”, ou “ do contra”. Em Braga temos um presidente que tem exercido um trabalho muito bom na direcção da SAD, até porque dispõe de uma equipa que o apoia com eficácia. Mas isso não evita que um ou outro acto de gestão sejam menos bem conseguidos. Continuamos a ter um bom presidente mas também um presidente que foi infeliz naquelas declarações e porventura noutros actos, como a saída muito mal explicada de Artur Monteiro ou a quase ausência de estratégias de marketing que se exige a um clube moderno.
É com alguma tristeza que vejo, frequentemente, a massa associativa do Braga dividida por causa destas ideias maniqueístas: os pró e os contra Carvalhal, os pró e os contra Salvador, os pró e os contra Rogério Gonçalves. No futebol como na vida nem tudo pode ser preto ou branco. Há muitos tons de cinzento, mas o preto e o branco são muito mais fáceis de definir. É fácil ser contra ou a favor. Por isso é que somos tentados a ver as coisas à luz da nossa crença, do nosso preto ou branco, porque assim não precisamos de arranjar argumentos novos, em função de cada situação. A nossa ideia preconcebida de bem ou de mal é como um carimbo que somos tentados a aplicar a todas as situações, sem nos darmos ao trabalho de analisar o pensamento do outro.
Nestes últimos dias do ano é costume fazerem-se balanços e retrospectivas. Não me atrevo nestas curtas linhas a tais tarefas. Quero deixar só esta ideia: A. Salvador, mau grado o nome, não é um enviado dos Deuses, assim como não é um arrivista qualquer; levou o Braga aos patamares mais elevados dos últimos anos mas continua a haver falhas e lacunas que é preciso salientar. Para tal é necessário serenidade na crítica mas também na forma como se encara essa mesma crítica. Quando as coisas não correm como queremos, por exemplo, quando o estádio não enche como gostávamos que acontecesse, é preciso ter frieza para verificar aquilo que podemos fazer para inverter a situação e não agir emocionalmente.
Por mim, continuo optimista; continuo a sentir que o S. C. de Braga continua a crescer na importância que os bracarenses lhe dão. Roma e Pavia não se fizeram num dia e a metamorfose do nosso clube está em curso. Hoje o Braga é muito maior do que era há 10 anos; isso é nítido e comprova-se com este facto: hoje, a assistência aos jogos é muito superior e daqui a 10 anos sê-lo-á ainda mais. 2007 será mais um ano de crescimento, com o trabalho do presidente e de todos os braguistas que se esforçam permanentemente por tornar este clube maior e mais forte.
Para todos um óptimo 2007.
 

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