You are using an outdated browser. For a faster, safer browsing experience, upgrade for free today.

Volta ao Minho

O Minho é conhecido pelas suas paisagens verdejantes, pela excelente gastronomia e pela forma calorosa como recebe as pessoas. Ficamos a saber na sexta-feira passada que o conceito de caloroso pode é ser interpretado de forma distinta, consoante a cidade minhota que estamos a visitar. Pela módica quantia de 13 euros, 1500 bracarenses tiveram a fantástica experiência de passarem do céu ao inferno e de sentirem na pele o que é viver em territórios em permanente conflito, onde todos parecem usar uma arma preparada a disparar sobre aqueles que vestem camisolas diferentes das suas. E até donas de casa entediadas tiveram oportunidade de fazer lançamentos de diferentes objetos do alto das suas janelas, mostrando que se encontram numa excelente forma física, ao mesmo tempo que demonstravam toda a sua competência a nível vocal, expressando-se com o mais típico linguajar minhoto em tons audíveis a vários metros de distância.

Os adeptos bracarenses tiveram ainda a fantástica oportunidade de, durante vastos minutos, contemplar as majestosas paisagens de grandes vias rápidas, compreendendo o fascínio que o alcatrão exerce sobre algumas pessoas, incluindo as mais insuspeitas, aquelas de quem se esperaria mais neutralidade por usarem uma farda que deveria impor ordem ao invés de impor caos. Perceberam ainda o que é estar no lugar do outro, sobretudo no lugar da sardinha, ao entrar aos repelões num estádio onde os mais frágeis quase foram engolidos enquanto os responsáveis assobiavam para o lado. Só conseguiram ver parte de um jogo, que se queria grande, mas com toda a certeza que a preocupação dos responsáveis pelo evento foi a de preparar a condição física dos adeptos bracarenses, obrigando-os a fazer quilómetros para chegarem ao estádio e para saírem do estádio. E ninguém pode dizer que os vitorianos não foram calorosos. Tudo fizeram, diga-se em abono da verdade, para aquecerem os bracarenses, sobretudo o lombo, como se diz cá pelos nossos lados. Lá está, o conceito de caloroso levado ao extremo. Diz-me a minha costela cristã que deve ser apenas uma forma diferente de entender as coisas.

Os vitorianos são ciosos do seu território. Afinal, foi por aquelas bandas que nasceu Portugal e é por isso perfeitamente compreensível que a direção do clube espalhe aos quatro ventos que, por eles, nunca haveria bancada visitante. É natural, são traumas que ficam desde a formação da nação. Não nos esqueçamos que o primeiro rei de Portugal tinha uma visão diferente da sua mãe que, já naquele tempo, preconizava e desejava uma união com a Galiza. Como metaforicamente as gentes de Braga são apelidadas de marroquinos, é natural que os descendentes de D. Afonso Henriques ainda embirrem com o que vem de fora do pequeno condado.

Os adeptos vitorianos intitulam-se os reis dos adeptos, confundindo fervor clubístico com vandalismo. Desejo ardentemente que as gentes de Braga provem ao país em geral, e aos vitorianos em particular, que o conceito de caloroso por estas bandas é diferente. Em terra de clérigos, vamos dar a outra face e mostrar que sabemos respeitar quem veste camisolas diferentes ou corremos o grande perigo de sermos todos farinha do mesmo saco.

 

Partilhar