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UMA PÁSCOA DIFERENTE

UMA PÁSCOA DIFERENTE

As saudades de ver futebol já são muitas. Esta paragem tem cerca de um mês, mas já parece uma eternidade. Estamos num tempo incomum, onde cada dia que passa parece uma vitória de todos, contra um “ser” tão insignificante e, simultaneamente, tão perigoso. Maldito vírus, que deixou o mundo suspenso e a todos nós numa incerteza que desgasta a cada dia que passa. É importante que se cumpram as regras definidas, sem certezas, pelas entidades nacionais, que seguem as indicações das organizações mundiais. É igualmente necessário que depois desta fase não encontremos muita gente mentalmente fragilizada.

O futebol praticamente parou no mundo inteiro. São raras as competições desportivas em andamento e mesmo estas são alvo de críticas provenientes de vários quadrantes. Importa regressar, lentamente, a alguma normalidade, mas com passos seguros que não coloquem em causa todos os sacrifícios já realizados pela população. O futuro deve ser encarado com esperança e haveremos de recordar, por muito tempo, que vivemos esta crise “tão global” e “tão democrática”.

O SC Braga colocou os seus atletas parcialmente em férias e definiu, para já, a cativação de metade dos salários de todos os jogadores, com a promessa de pagamento integral se as competições se concluírem, como se espera. Falo, claro está, das ligas profissionais de futebol, pois as competições organizadas sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) já foram dadas como terminadas, com muitas consequências inerentes a esta decisão. Por esclarecer ficam algumas interrogações, como a dos clubes que deverão subir à segunda liga ou quem representa Portugal na Liga dos Campeões do futebol feminino na próxima temporada, por exemplo. Mas há outras coisas que não fazem muito sentido, como não disputar as finais das Taças de Portugal e da Liga, no futebol feminino, ainda que se entenda o fim abrupto da respetiva liga. Há muitas indefinições, cujas respostas deverão surgir em breve.

Voltemos ao futebol profissional. A UEFA exige a conclusão das ligas principais, ainda que não coloque prazos, como chegou a ser publicitado pela imprensa. Portugal tem vários cenários em cima da mesa, mas o reinício será antecedido de uma pré-época, capaz de colocar os jogadores a níveis competitivos minimamente aceitáveis. Aqui a seriedade e o brio profissional dos atletas serão fatores determinantes no que resta disputar na presente temporada desportiva.

O futebol português parece ter conseguido, entre os principais dirigentes, um pacto de não agressão, onde nenhum clube contratará um jogador de outro que se tenha aproveitado da estranha situação que vivemos atualmente. É louvável que este entendimento exista e só é pena que ele não passe para outras decisões tão imperiosas no futebol luso, a bem da sua sobrevivência e da sua competitividade, ou da falta dela.

Os efeitos económicos negativos desta crise poderão ser devastadores para a sociedade em geral, e para o futebol em particular, tanto a nível nacional como internacional. E numa altura tão complicada a União Europeia dá provas de desunião, onde a solidariedade entre países é uma quimera. Veremos se no futuro próximo chegam a um acordo solidário, onde os “ricos” consigam ajudar os “pobres”, nesta luta transversal.

Este fim de semana deveria ter um jogo apaixonante, entre os dois grandes rivais do Minho. Na Pedreira, o SC Braga deveria receber a visita do V. Guimarães, algo que não acontece porque estamos a viver uma Páscoa diferente, em que o futuro é difícil de prever.

As escolas vão permanecer fechadas, pelo menos durante o mês de abril. Talvez em maio os alunos do ensino secundário possam regressar ao ensino presencial, como forma de se prepararem para os exames nacionais, determinantes no acesso ao ensino superior. Penso que seria mais sensato regressarem às escolas, logo que possível, apenas os alunos que irão realizar a avaliação externa prevista, nos 11º e 12º anos. Alguns setores defendiam a suspensão dos exames nacionais, mas isso seria, na minha opinião, uma fraude feita aos alunos que se aplicaram no ciclo de estudos tão importante e representaria um bónus inaceitável ao ensino privado, cujas classificações internas são, regra geral, superiores às que se observam no ensino público. O governo, felizmente, já decidiu pela manutenção dos exames e o calendário já foi definido, com ajustamento, prevendo-se a primeira fase para julho e a segunda para setembro. Este tema merece um consenso da classe política que até parece estranho acontecer, mas este entendimento pode muito bem ser uma lição para o entendimento que não existe no futebol português e que é tão necessário nas alterações a introduzir. Tantas vezes o futebol dá bons exemplos, mas desta vez devem ser os seus responsáveis a saber ler os sinais de entendimento provenientes da classe política.

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