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Percurso pandémico e caótico

Percurso pandémico e caótico

O SC Braga não para de surpreender. A derrota em Vila do Conde ditou um afastamento voluntário de Custódio Castro do cargo de treinador. É o quinto treinador da época, ao contrário do que refere boa parte da imprensa desportiva, pois Abel Ferreira saiu para a Grécia com a pré-época já iniciada, dando lugar a Ricardo Sá Pinto, que brilhou nas competições europeias, mas falhou muito na liga portuguesa, pois a equipa ocupava um modesto décimo lugar, depois de jogadas catorze jornadas. A terceira opção foi Rúben Amorim, que teve um percurso brilhante a nível interno, cedendo apenas um empate frente ao Gil Vicente, entre nove vitórias para a Liga e, ainda, a conquista sem mácula da Taça da Liga. Este percurso levou o treinador a sair para Alvalade, tentado pela elevada oferta financeira apresentada. O erro bracarense foi não ter exigido o pagamento imediato da cláusula de rescisão para viabilizar a saída do técnico, cujo pagamento ficou acordado, mas esse dinheiro continua sem chegar a Braga. É este o país que temos, infelizmente.

Custódio Castro foi o senhor que se seguiu, escolhido pelo curto, mas brilhante percurso nos sub-17 bracarenses, mas que o tempo demonstrou ter sido uma ascensão à equipa principal demasiado precoce. A estreia até foi boa, com uma vitória clara frente ao Portimonense na Pedreira por 3-1, mas a paragem forçada pela pandemia significou a entrada num mundo novo e desconhecido para todos. A retoma da competição, sem jogos de preparação, nem adeptos nos estádios, trouxe uma realidade cruel através da perda sucessiva de pontos, com derrotas frente ao Santa Clara, fora, e Boavista, em casa, o que fez soar os alarmes em Braga. A boa resposta dada em Famalicão, traduzida num empate penalizador para o bom desempenho conseguido, e a vitória frente ao eterno rival, Vitória SC, num jogo empolgante, parecia reintroduzir a equipa nos trilhos desejados. Porém, foi sol de pouca dura e a derrota em Vila do Conde, fez transbordar o copo e Custódio saía por sua iniciativa do comando arsenalista, o que deixou pena nos adeptos, que ansiavam pelo seu sucesso. Felicidades, Custódio Castro, um Gverreiro para sempre.

Entre os vários jogos disputados as arbitragens interferiram de forma direta nas derrotas fora. Primeiro foi frente ao Santa Clara, onde o trabalho miserável de Soares Dias já foi analisado na devida altura. Duas jornadas volvidas, o árbitro Nuno Almeida, em Vila do Conde, teve uma atuação estranha, cometendo dois erros grosseiros, ao não expulsar Aderllan Santos mesmo depois de ver as imagens, por volta da hora de jogo, e, nos descontos, ao assinalar um penalti, que daria o 4-3 final para os vilacondenses, num lance que o uso de tecnologia torna de todo incompreensível e inaceitável, pois Rolando não deu mão em momento algum e jurava inocência, mas nem isso demoveu o árbitro, que nem quis ver as imagens, pois depreende-se que o VAR tenha ajudado nessa decisão aberrante, que daria nova derrota e ditaria a saída do treinador. Curiosamente, ou talvez não, os responsáveis rioavistas desta vez não falaram sobre arbitragem.

Quando se pergunta o que é o sistema, a resposta está retratada nos dois jogos mencionados no parágrafo anterior, cujo conteúdo é complementado com as ajudas simultâneas proporcionadas ao Sporting, o novo clube de Rúben Amorim, com a finalidade de recolocar a ordem natural das coisas, assim considerada pelo sistema. Ao contrário do que refere o comunicado oficial do SC Braga, que finalmente veio falar de arbitragem, demasiado tarde na minha opinião, eu não acredito que os erros graves referidos sejam fruto de mera incompetência, mas algo bem para além disso. É lamentável que assim seja, pois esta desconfiança permanente sobre a arbitragem afasta cada vez mais a gente do futebol.

O quinto treinador escolhido para esta época foi Artur Jorge, que surge num percurso demasiado pandémico e caótico dos Gverreiros do Minho. O novo técnico chegava ao seu lugar de sonho, depois de muitos anos a trabalhar no clube, o que o torna uma referência respeitada, e a estreia ocorreu frente ao Aves, já condenado à descida de divisão. O primeiro tempo do jogo contra os avenses foi lento e previsível, pelo que o nulo ao intervalo não surpreendia ninguém. Contudo, no segundo período os Gverreiros de Artur Jorge chegaram ao golo e depois foi possível avolumar o resultado, que só parou na goleada por 4-0, que deixa um quadro inesquecível para o novo treinador guardar com carinho, para memória futura. Valeram no resultado os golos de Rui Fonte, Ricardo Horta, Abel Ruiz e Paulinho, num jogo em que foi notória a opção pelo 4-4-2. Nota ainda para as estreias dos jovens Fabiano, que entrou muito bem ao intervalo, e Sanca, que esteve perto de marcar no momento do último golo.

Espero agora que este resultado gordo, sem sofrer golos, coisa rara esta época, signifique o fim da autêntica pandemia desportiva que a equipa tem vivido nos últimos tempos.

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