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O CHEIRO A EUCALIPTO

O CHEIRO A EUCALIPTO

Portugal é um país que cheira a eucalipto, desportivamente falando. Fazendo uso do ato criativo dos fiéis adeptos do Espinho, a quem faço a devida vénia, lamento que a (di)visão desportiva do país seja repartida por três clubes – os eucaliptos – ficando os outros desprotegidos em termos de apoio humano. Entre os três “autoproclamados” grandes também há divisões assimétricas dos adeptos/simpatizantes, com o Benfica a reclamar a maioria esmagadora da população do país como sua pertença. Mas as coisas estão a mudar, ainda que lentamente e longe vão os tempos em que, por exemplo, o clube da águia fazia de Braga a seu “segundo ninho”, uma vez que de há uns bons anos a esta parte quando se deslocam à cidade dos arcebispos nunca “jogam em casa”, o que realça bem que a juventude está a seguir caminhos diferentes. A “eucaliptização” do país não é apenas nefasta para os incêndios, uma vez que clubisticamente prejudica o normal desenvolvimento do desporto e do futebol em particular, pelo que apelo ao sentimento regional das pessoas, para que elas redirecionem o apoio clubístico.

Recentemente Manuel Machado colocou o dedo na ferida, mas meteu-se com o lóbi da comunicação social, que à primeira oportunidade iria crucificar o treinador, bem à maneira de Jesus Cristo, como sugeriu o meu amigo Carlos Mangas, digno cronista de um diário bracarense. Ora, quando o Moreirense perdeu em casa por números inequívocos frente ao Tondela, a comunicação social desdobrou-se em esforços para “arrumar para canto” o pensamento de Manuel Machado e de quem pensa como ele. Eu, felizmente, não estou preso a nada, pelo que reforço essas ideias do treinador, sugerindo que as entidades responsáveis deste país sejam competentes e arranjem forma de tornar sustentáveis os clubes portugueses, aumentando a competitividade interna, através de uma divisão mais justa dos ”rios de dinheiro” que a indústria do futebol promove. Há bons modelos lá fora para copiar. Uma liga interna mais competitiva terá reflexos nas competições internacionais. Os adeptos, em especial os menos enraizados, devem refletir se faz algum sentido apoiar um dos “autoproclamados grandes”, apenas porque vencem mais vezes ou se não será melhor fazer parte de um projeto de crescimento, que tenha a ambição forte de a prazo poder concorrer nas lutas dos três clubes que o sistema protege. Vale a pena pensar nisto.

O mercado de verão terminou, havendo as habituais entradas e saídas. Sobre este assunto, digo que é urgente fazer a alteração das datas do mercado de verão, para evitar situações ridículas como de um jogador abandonar o estágio da seleção em dia de jogo, mesmo que estivesse “lesionado”. Por outro lado, fica a consciência crescente de que os contratos dos jogadores são cada vez mais efémeros e para os empresários é mais profícua a transação regular entre clubes. Assim, a apresentação dos plantéis também deveria acontecer depois de encerrar o mercado.

Na primeira pausa competitiva, forçada pelos jogos das seleções, o SC Braga foi ao Bessa jogar a entrada na fase de grupos da Taça da Liga. Os golos de Fábio Martins e Paulinho concretizaram a quinta “remontada” da época, dando uma vitória por 2-1, que peca por escassa, mas que confirma o apuramento dos Gverreiros do Minho para a fase de grupos da competição. Foi a melhor exibição até ao momento, curiosamente no primeiro jogo sem dois pontas de lança. A mobilidade da equipa bracarense baralhou os axadrezados, com o grande apoio vindo da bancada a fazer sentir aos jogadores que “jogavam em casa”. O final do jogo foi lindo, com momentos de comunhão entre adeptos e equipa, que se complementaram no reduto da “pantera”.

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