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Entre sacos e sonhos

Apesar de propalada aos quatro ventos por uns e outros, a inocência no mundo do futebol rareia e o simples e comum adepto que se emociona e vibra durante um jogo de futebol tem cada vez mais a consciência de que nem tudo o que parece é e que, muitas vezes, o que se vê já foi delineado antes do jogo começar. O olhar cândido com que dirigentes, presidentes e afins negam falcatruas, corrupções e outras coisas que tais já não convencem o mais ingénuo dos adeptos, calejado que está com casos que a justiça parece estar finalmente a tentar resolver, apesar da justiça no caso desportivo nunca ter sido muito famosa e ter sido sempre célere a castigar os pequenos e demasiado rápida a ilibar os grandes. Ainda hoje me dói o que fizeram ao Gil Vicente e ainda hoje me espanto com a ausência de um castigo sério ao Futebol Clube do Porto no célebre caso que metia fruta variada. Da mesma forma espero, caso venham a confirmar-se as suspeitas existentes a propósito do Benfica e do Sporting, ver a justiça atuar de uma forma dura e rápida.

Depois de lido este primeiro parágrafo muitos leitores estarão a perguntar-se por que não falo eu do recente escarcéu em torno do meu Sporting de Braga, acusado de ter um saco azul num mundo vermelho. Transações sem faturas, faturas pretensamente falsas, comissões de transferências de jogadores e até um anedótico pagamento a um casal de bruxos a que se junta uma acusação de falsificação de documentos usados nas últimas eleições do clube. Mais uma vez o timing perfeito a fazer aparecer publicamente acusações  numa semana em que os arsenalistas jogavam com o Sporting de Peseiro, no clássico mind games a que já estamos habituados e que sabemos muito bem que aumentam as tiragens dos jornais. Como não sou dada a bruxarias não faço a menor ideia se qualquer uma destas acusações tem fundamento mas sei que qualquer comparação com o caso e-toupeira, caso Cashball ou caso Apito Dourado, está a anos-luz das acusações que, por denúncia anónima, o anonimato nestes casos dá sempre muito jeito, estão a ser investigadas. Meter tudo no mesmo saco, seja ele azul ou não, é misturar irregularidades com proporções e consequências absolutamente díspares. Dir-me-ão que irregularidades são irregularidades e dir-vos-ei que sim e que tal como espero ver as dos outros esclarecidas, também desejo o mesmo para as do meu clube. Não há inocentes puros, só não comparem o incomparável.

A verdade é que não precisamos de bruxo nenhum para vencer o Sporting, este ano em versão cordeiro inofensivo, desorientado pelo treinador Peseiro que veio a Braga provar, mais uma vez, que tem muita dificuldade em colocar os jogadores a jogar nas suas reais posições e em acertar nas melhores peças para começar o jogo. Quando não se tem Bas Dost  e se põe Jovane Cabral no banco, está tudo dito. Até Jefferson se deve ter rido por não jogar neste Sporting.

Abel continua a fazer-nos sonhar e é cada vez mais óbvio que os jogadores se alimentam do calor imenso que emana das bancadas. Entramos no outono e na Pedreira continua um verão demolidor. Acredito que vamos ter um inverno tropical.

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