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DISTÂNCIAS DOS NOSSOS DIAS

DISTÂNCIAS DOS NOSSOS DIAS

Os tempos que correm são muito estranhos e os hábitos das pessoas mudaram significativamente. Caminhar numa rua e ver pessoas em sentido contrário implica agora um desvio estratégico, capaz de nos colocar a salvo de um inimigo, que na nossa mente existe em todas as pessoas, o que nos leva a desconfiar de tudo e de todos. É o medo a tomar conta de nós, ele que é perverso e tolda as nossas condutas. Há palavras que entraram no nosso léxico e atualmente falamos de confinamento, de teletrabalho ou de distanciamento social como se de um hábito enraizado se tratasse. Agora, prepara-se o regresso lento a alguma normalidade, que deverá ser anormal por muito tempo ainda, pois ver as pessoas das nossas relações com uma máscara, que mentalmente as proteja de tudo o que as rodeia, deverá ser trivial no futuro próximo. Ir à praia deverá ser uma atividade bastante condicionada e o distanciamento entre pessoas deverá existir no lazer, como nas outras situações. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e os hábitos também. A insegurança nas pessoas só será diluída com a passagem do tempo e um dia a vida voltará a ser como foi, com o maldito vírus que mudou o mundo a ser uma memória. As avaliações de toda a situação deverão ser feitas mais tarde, quando a poeira assentar e a comunidade científica for capaz de dar diversas respostas a coisas que por agora condicionam as nossas vidas.

A União Europeia deu passos rumo a uma resposta robusta, tal como eu prognostiquei recentemente, às consequências económicas da atual situação de quase paralisação global. A este assunto voltarei quando foram definidos os moldes em que os países serão intervencionados, pois não terei muita paciência para que surjam outra vez os “iluminados da economia” nas televisões, a preverem coisas negativas para as pessoas, capazes de as perturbar ainda mais do que já estão. Que fiquem bem longe os “Camilos Lourenços” desta vida.

O futebol prepara a sua volta, de modo gradual e seguro. Os planos delineados pelos clubes são rigorosos, pois é importante que o medo fique longe dos treinos e dos jogos. Neste particular, o SC Braga planeou o seu regresso para o dia 27 do corrente mês de abril, ou seja, as portas começam a abrir-se na oficina dos Gverreiros do Minho. O clube parece ter elaborado um programa completo, respeitando as orientações das instituições nacionais e internacionais do momento, ligadas à saúde. A desinfeção e higienização serão uma realidade, assim como o já referido distanciamento social, além de outras regras apertadas. Nos próximos tempos serão dados passos conducentes ao retorno das competições, sendo previsível que sem adeptos numa primeira fase e com limitação dos mesmos numa fase ulterior. A evolução positiva da situação pandémica do país, com as consequências negativas a ficarem distantes das previsões mais pessimistas, permite que os clubes retomem, gradualmente, a sua vida desportiva rumo a alguma normalização, acompanhando os outros setores da sociedade. Que comece a segunda pré-época, num tempo que preparará o regresso competitivo que será de elevada exigência para os bracarenses, se quiserem afastar do pódio um dos clubes do sistema.

O regresso do futebol ao nosso quotidiano parece uma má notícia para o Sporting, que arranjou nesta pandemia a desculpa para não cumprir os compromissos, que sabia desde sempre que não iria cumprir. A gestão leonina é feita na corda bamba e a lata demonstrada pelo administrador da SAD Salgado Zenha revela bem o quão distantes vão os tempos em que o clube do leão era distinto de outros em termos comportamentais. Reafirmo aqui o meu desejo, em forma de exigência, para que o meu clube seja inflexível neste incumprimento inaceitável.

Os alunos que vão fazer exames nacionais do ensino secundário este ano, num calendário que já foi alterado, estão próximos do regresso ao ensino presencial, mediante regras de segurança rigorosas, em que o distanciamento entre eles tem que ser uma realidade. Que recomece o ano letivo do ensino presencial, mesmo que seja apenas para um número limitado de alunos e de disciplinas. Os dias que correm são de adaptação ao ensino a distância, onde as plataformas e as videoconferências entraram em força na vida dos professores, cuja capacidade de adaptação tem sido notável, realizando tarefas morosas, que ocupam muito mais tempo do que aquele que os seus horários indicam, sempre em prol dos discentes. As aulas síncronas deviam servir para esclarecimento de dúvidas e de acompanhamento na execução das tarefas propostas para os tempos assíncronos de aprendizagem, mas há situações de escolas e, principalmente, de colégios que querem fazer de longe o que deve ser feito de perto. O meu mestrado em “Tecnologia Educativa”, terminado em 2012 na Universidade do Minho, faz mais sentido nesta fase em que ensino e trabalho de modo telemático.

São muitas as distâncias que integram nas nossas vidas por estes dias e que parecem não ter epílogo para breve, pelo que devemos aprender a (con)viver com elas.

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