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Cromos

Ronaldo foi humano no jogo de Portugal com o Irão e falhou uma grande penalidade. Ronaldo foi humano e não marcou nenhum golo. A seleção de Portugal pode não ter nascido na ilha da Madeira, como sarcasticamente certos selecionadores de certos países pouco democráticos dizem, mas continua a ser falada por esse mundo fora por causa do menino que nasceu na ilha madeirense. Para o bem e para o mal.

Ronaldo foi humano mas Quaresma provou a sua faceta de mago. Quando falha a prestidigitação de Ronaldo, entra o feitiço de Quaresma, o moço que até pertence a uma etnia que na maior parte das vezes não é muito apreciada mas que ascende a um outro patamar quando o número vinte da seleção portuguesa rouba o ar ao adversário e com uma trivela de parar o coração nos enche de orgulho. Quaresma é um cromo raro, um cromo dos bons, daqueles que sai pouco nas carteirinhas. Palmas para o nosso Gipsy King.

E por falar em cromos, falemos do cromo que tem saído em todas as carteirinhas que temos comprado: Carlos Queiroz, o adepto do bem ou mal o que interessa é que falem de mim que isto de andar a treinar uma seleção do outro lado do mundo é uma chatice. As palavras ditas antes, durante e depois do jogo entre Portugal e Irão, vieram demonstrar não um profissional sério apostado em defender o interesse de quem lhe paga o ordenado ao fim do mês mas apenas um homem ressabiado, corroído pela mágoa de ter sido despedido da seleção portuguesa. E se alguma vez fui solidária com Queiroz pela forma torpe que a federação portuguesa arranjou de o despedir depois do Mundial da África do Sul, rapidamente esqueci a maldade que lhe fizeram depois de assistir ao seu comportamento inominável nos últimos dias. Foram várias as vezes que secretamente desejei que as vuvuzelas que se ouviam no estádio durante o jogo entre portugueses e iranianos, magicamente saltassem das mãos dos que as usavam e entrassem em todas as reentrâncias de Queiroz. O ex selecionador nacional destilou ódio durante 90 minutos, provocou jogadores, incendiou ânimos entre adeptos, abusou da paciência até ao limite da equipa de arbitragem e dispôs a sua equipa a jogar com um excesso de zelo que só lhe ficou mal. Só três jogadores portugueses o cumprimentaram no final do jogo e Queiroz ficou furioso. Era bom que o selecionador iraniano pensasse no porquê disto. A Queiroz devemos várias conquistas. É pena que nos esfregue isso na cara e exija respeito pelo passado esquecendo-se de nos respeitar a todos nós no presente. É um cromo para esquecer.

E se Queiroz é para esquecer, Maradona é para rir. O ex D10s (como dizem os argentinos) do futebol mundial deixa, nesta competição, uma imagem que oscila entre a hilária e a triste. Ora dorme na bancada, ora chama nomes aos adversários e aos árbitros, ora faz gestos obscenos para o mundo enquanto alguém preocupado com a sua sanidade mental e física o agarra pela cintura com medo que o ex craque rebole pelas bancadas do estádio. É confrangedor olhar para o homem que fazia magia com a bola, e às vezes com as mãos, e ver naquilo em que se transformou. Um cromo que parece uma alface daquele supermercado que não posso dizer o nome.

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