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APOSTA DE RISCO

APOSTA DE RISCO

O chicote estalou em Braga. Ricardo Sá Pinto não resistiu aos maus resultados da liga e já faz parte da extensa lista de treinadores despedidos desta época. É, muitas vezes, leviana a forma como se despede em Portugal. Recuemos para contextualizar a situação. No início da época Abel Ferreira esteve para sair e, afinal, não saiu. Porém, acabou mesmo por sair em resposta a um convite da Grécia, que ele publicamente considerou como “irrecusável” e António Salvador rapidamente tratou da sua substituição. A escolha recaiu em Ricardo Sá Pinto, que tem uma personalidade forte e um aparente mau feitio, que facilmente chocaria com a não menos vincada personalidade do Presidente António Salvador. A opção não agradava à maioria do universo braguista, mas era para seguir em frente, uma vez que a época começava muito cedo, por causa do apuramento para a fase de grupos da Liga Europa, um objetivo claramente assumido por todos e que seria alcançado com o brilhantismo de quatro vitórias, que serenava as almas mais inquietas. No entanto, a nível da liga portuguesa os resultados obtidos iam ficando aquém do esperado, com a fase mais negra e decisiva a ocorrer no confronto com os dois últimos da classificação, que são simultaneamente as piores equipas, na minha opinião e que se traduziu em duas derrotas que ditaram a sentença do técnico. A bipolaridade da equipa, entre o rendimento europeu de excelência e o da liga portuguesa demasiado pobre, era demasiado evidente pois se a nível das competições da UEFA foram alcançados números históricos, na liga portuguesa não há memória no “reinado de Salvador” de uma prestação tão fraca. Era fácil de constatar nas bancadas a insegurança que a equipa mostrava quando tinha pela frente equipas mais fracas e de cariz eminentemente defensivo. Estranha forma de vida desportiva, esta do SC Braga aos comandos de Ricardo Sá Pinto, pois a equipa que fazia um jogo enorme em Guimarães era incapaz de reagir a um golo do Boavista, do Aves ou do Paços. A derrota caseira contra os castores, com influência negativa da arbitragem do jogo, ditou o fim de linha do treinador, que mesmo assim se manteve no posto para os jogos da lua, na Taça de Portugal e de Paços de Ferreira, da Taça da Liga. O treinador foi informado no dia seguinte à goleada de 4-1 obtida na Capital do Móvel sobre uma decisão que não era do seu conhecimento, mas que já estava tomada há uma semana.

A SAD do SC Braga prometeu, em comunicado, a rápida substituição do treinador demitido e o escolhido foi Rúben Amorim, que orientava a equipa B arsenalista, com bons resultados e bom futebol, diga-se. António Salvador fez assim uma escolha de risco para comandar a equipa, o que não sossega as bancadas da Pedreira, pelo menos por agora. O treinador Rúben Amorim não possui as habilitações legalmente exigidas, num caso que não é virgem em Portugal e tem escassa experiência como treinador principal. Pela minha parte o técnico terá o apoio total, por ser o líder da minha equipa. Mesmo assim eu ficaria mais descansado se um nome forte e de créditos firmados tivesse sido escolhido, em vez desta aposta de risco. Perante esta realidade, desejo que o jovem treinador tenha o maior sucesso no SC Braga e tenha a empatia da massa associativa, pois as suas vitórias serão as nossas alegrias. Mas espero que ele esteja consciente da tarefa hercúlea e exigente que tem pela frente, ainda que exista em Braga qualidade suficiente no plantel para fazer muito mais e melhor. Faço votos para que a estreia do novo técnico, no Jamor frente ao Belenenses SAD, seja auspiciosa e seja o começo de um longo caminho de sucesso.

A indignação maior com a escolha de Rúben Amorim para treinador principal surgiu da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, devido à falta de habilitações legais do jovem treinador, que envolveu comunicados e outras reações. Em Portugal é mais rápido tirar um curso de direito ou de medicina do que chegar ao nível IV de treinador de futebol, o que mostra bem o absurdo da situação. Urge repensar todo o processo de habilitar os treinadores, mesmo que isso implique mexer com os interesses instalados de um sistema corporativista e fechado que em nada beneficia o futebol.

A equipa B do SC Braga viu chegar novo treinador para o lugar do promovido Rúben Amorim e a opção recaiu em Vasco Faísca, que orientava o Olhanense. Este treinador recebe uma equipa em segundo lugar, que acalenta fortes esperanças de atingir a fase decisiva da subida, pelo que a missão que tem à sua frente é muito árdua e terá, certamente, muitas dificuldades.

Aos dois treinadores escolhidos, bem como às respetivas equipa técnicas, desejo as maiores felicidades e que ambos sejam capazes de devolver o prazer de ver futebol à família barguista.

Bom Ano Novo de 2020 a todos.

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