You are using an outdated browser. For a faster, safer browsing experience, upgrade for free today.

Abaixo de Braga e do Braga

Os três ditos grandes do futebol português têm visto Braga por um canudo e não têm gostado nada. Com expetativas defraudadas têm tido alguma dificuldade em dar mérito aos guerreiros do Minho e têm-se entretido a tecer explicações que desmerecem o fulgor bracarense ao mesmo tempo que explanam a falta de brilho e as exibições menos conseguidas dos seus clubes. Olham-nos com o costumeiro paternalismo, sorriem e fazem previsões que nos colocam, a curto prazo, no lugar que eles entendem como nosso. Basicamente, não nos levam a sério. Pensam eles que, com tanto campeonato para jogar,ser líder nesta altura é apenas uma coisa gira de equipa provinciana a armar-se aos cucos em reino de poderosos dragões, águias e leões.

A verdade é que enquanto eles sorriem desdenhosamente perante as nossas vitórias, sentindo-as como virgulais, nós vamos, sub-repticiamente, mandando abaixo de Bragatodos aqueles que não acreditam que se pode sonhar com aconquista de um campeonato nacional de futebol quando se vive numa cidade nortenha, com apenas perto de 200 mil habitantes e onde durante muitos anos o coração bracarense batia por dois clubes. Acontece que o Sporting de Braga de hoje já não é o Sporting de Braga de há cinquenta anos atrás e há muitos anos que o clube deixou de ter amantes na capital. Vivemos por nós e para nós, para glória do nosso nome e para honrar um símbolo e uma cidade que cresce no amor pelos seus. Os velhos do Restelo que continuam a ver-nos como filial de um certo clube enganam-se a si próprios. Num discurso gasto e mais velho do que a Sé de Braga procuram convencer-se que não há merecimento nas vitórias bracarenses. Deixemo-los acreditar que tudo não passa de um sonho.

E se é verdade que num ou noutro jogo mostramos que somos mesmo de Braga e deixamos a porta abertapermitindo que o nosso antagonista marcasse golos que não lembram a ninguém, é verdade também que sempre mantivemos os olhos na baliza adversária e os nossos jogadores foram pródigos em as usar e abusar, deixando “baradas” as cabaneiras que costumam comentar as incidências dos jogos e a tabela classificativa. O Braga é candidato ao título e, apesar de todas as compreensíveis cautelas do treinador Abel Ferreira, evitando entrar em discursos demasiado eufóricos, os guerreiros do Minho são, sem qualquer tipo de favor, a equipa que melhor futebol pratica. E em Braga, não é preciso ir ao Coliseu para ter espetáculo.

Os nossos adversários diretos não nos perdoam a ousadia de nos imiscuirmos entre eles, habituados que estão a subserviências bacocas por parte de muitos clubes que deles dependem para formar plantéis. Somos humildes e o discurso de Abel Ferreira denota sempre desvaidadeapesar de orgulho no trabalho feito e nos seus jogadores. Paulatinamente vão sendo encaixados no onze inicial jogadores menos acostumados a serem titulares,habituando a máquina a novas peças que vão escorregando como manteiga em pão quente tal é a forma como se combinam entre si.

A equipa que joga com mais portugueses espera agora, com muita atenção, a convocatória de Fernando Santos para a seleção.

Partilhar