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A (IR)RESPONSABILIDADE DE PAGAR

A (IR)RESPONSABILIDADE DE PAGAR

O Braguista e Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, renovou o estado de emergência, por mais duas semanas. Acredita-se que este período será para permitir ao governo o regresso lento e seguro do país a alguma normalidade anormal. O próximo mês de maio deverá permitir o reaparecimento de muitas atividades presenciais, depois de passados estes tempos, que são curtos, mas parecem infinitos. A nível da economia, a recessão e o seu abrandamento parecem inevitáveis, com os sanguessugas do FMI à espreita, face à vergonhosa e nada solidária resposta da União Europeia, que parece querer passar ao lado de mostrar com clareza uma das razões maiores da sua existência. Acredito que, sobre o limite, surja um acordo como um mal menor, em vez de uma resposta robusta da Europa que revelasse uma União a sério. Os países mais ricos devem, em alturas de crise sem responsabilidades objetivas de ninguém, ajudar os mais pobres e as consequências económicas negativas desta pandemia não deveriam significar um endividamento de nenhum país. A mutualização de dívida parece uma necessidade imperiosa, pois há vida para além dos números e é por causa da salvaguarda dela que a crise surgiu. Haja decoro. 

O futebol continua parado, mas os compromissos anteriores mantêm-se em vigor, pelo menos na mente de alguns. Convém recordar aqui a inesperada e radical mudança de Rúben Amorim para o Sporting, depois de ter deixado o SC Braga como Campeão de Inverno e confortavelmente instalado no terceiro lugar da classificação. Estas duas premissas, aliadas a uma fé leonina que se traduz em mais uma fuga para a frente, levaram os responsáveis do leão a levar para Lisboa o treinador que começou na equipa B bracarense, teve uma passagem fugaz e brilhante pela equipa A e foi dado como o salvador do mundo leonino pelos seus (ir)responsáveis. Sem conseguir que de Braga surgisse alguma abertura quanto à verba a pagar, o foco centrou-se na forma de pagamento, que resultou num documento claro e com penalizações previstas, em caso de incumprimento. Ora, não foi preciso esperar muito tempo para se perceber que o Sporting não tinha liquidez financeira capaz de satisfazer as suas obrigações imediatas e a primeira prestação não foi paga, pelo que os juros começaram desde logo a acrescer à dívida inicial e a possibilidade de pagamento integral um pouco mais tarde também não se efetivou. O descaramento maior surgiu por parte de um administrador da SAD, Salgado Zenha, que revelou à imprensa não existir incumprimento dos leões, face à situação pandémica atual, numa visão iluminada que eles tiveram antes da entrada do estado de emergência, altura em que começaram a falhar os seus compromissos. António Salvador não parece de modas e assegura ir adiante com as consequências advindas desta situação. Assim, face à (ir)responsabilidade de (não) pagar por parte do Sporting, espero que a posição do SC Braga seja de total rigidez e sem truques, levando o caso até ao pior dos desfechos para o lado de quem ousa dever e não pagar, por mais negativo que ele seja. Como sócio e adepto do SC Braga, que tinha grandes esperanças no percurso do treinador no Minho, aguardo que os interesses bracarenses sejam defendidos até ao limite, nem que isso passe pela eventual penalização “uefeira”.

O futebol, em geral, deverá regressar aos relvados, sob forma de pré-época, em breve, onde já se encontra o Nacional da Madeira em treinos, cujas condições desconheço e, por isso, sobre eles não me pronuncio. O mês de maio poderá ter algumas semanas de preparação das equipas e o eventual posterior regresso das competições, se calhar à porta fechada, algo que desagrada a toda a gente, pois as bancadas dos estádios não foram construídas para adorno dos recintos desportivos, mas para acolher adeptos que estão, também eles, desejosos de voltar a ver futebol. Mas continua sem previsão o regresso da normalidade futebolística, pelo que por esta altura apenas se pode especular sobre o assunto.

O terceiro período escolar começou, através de um atípico ensino à distância generalizado. Nunca pensei que a Universidade Aberta, onde estive um ano, pudesse ter tido tão cedo um modelo que agora surge alargado a todos os níveis de ensino. Os professores, claramente impreparados para tão rápidas e radicais mudanças, têm feito um esforço enorme, revelando um brio profissional que apenas surpreende quem está de fora. O Ministro da Educação tem feito elogios aos docentes que “comanda”, o que até faz desconfiar quem é elogiado. Pela minha parte ficava mais satisfeito se me devolvessem os anos de vida profissional que me querem subtrair e nem precisava dessas loas por parte da tutela, pois o uso de tecnologia, em muito menor escala, já fazia parte da minha ação docente e, acredito, da de muitos outros colegas de profissão.

Espero que maio confirme o regresso às aulas presenciais, pois já tenho saudades da sala de aula e dos alunos, tal como os jogadores terão do balneário e do relvado com bola.

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