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A INDECISÃO INQUIETANTE

A INDECISÃO INQUIETANTE

O tempo, em vez do sonho, comanda a vida, pelo mundo fora, ao ritmo de um inimigo global que ninguém conhece a “olho nu”, mas que todos sabem chamar pelo seu nome de “COVID 19”. O tempo é de recolhimento, de angústia e de medo de uma catástrofe, que se deseja ver longe ou inexistente. Os governantes tentam travar o avanço pandémico com medidas restritivas e as organizações mundialmente responsáveis parecem seguros dos seus passos, ainda que saibam que não existe qualquer segurança. Esta incerteza da comunidade científica inquieta as populações e a agrava a situação global. Acresce a tudo isto o péssimo serviço de algumas “televisões”, que se fazem acompanhar dos mais variados “comentadores”, sem qualquer preparação para falar com uma segurança que aparentam ter, mas que, de facto, em geral não passa de um rol de afirmações demagógicas e repletas de inverdades, sem consciência do poder imenso que o “pequeno ecrã” continua a ter para as populações. Ora, uma população com medo ou em pânico não favorece nada esta luta que é de todos.  Quando for feita uma avaliação posterior de toda a situação, por parte das autoridades competentes, é que se perceberá os erros cometidos neste percurso incerto a cada dia que passa. Até lá o desconhecimento do futuro próximo é um inimigo certo, que o tempo ajudará a ultrapassar.

A vida dos estudantes lusos está numa fase de aprendizagem e adaptação, tal como a dos professores que lutam diariamente e de modo colaborativo para responder às exigências de uma sociedade de tal forma tecnológica que a impreparação maioritária se torna angustiante. Mas os portugueses são assim, não desistem e vão à luta. Os docentes não fogem à regra e encarnam esse espírito formativo permanente que os coloca permanentemente perante desafios que parecem maiores do que o mundo a que pertencem, mas do qual, depois, acabam por sair vencedores. É esse espírito de conquista que se espera que ajude a ultrapassar este período periclitante na vida dos estudantes, especialmente daqueles que se encontram na antecâmara do ensino superior. A resposta a dar neste período, em que o ensino à distância “promete” prolongar-se, depende de todos e do bom senso, como suplemento. Falando, com orgulho, como docente acredito que os alunos continuarão a aprender, indiferentes a ambientes de facilitismo que podem parecer aliciantes, desde que acreditem em quem os lidera. Os alunos devem “sentir” a presença do professor, mesmo sabendo que ele está distante.

O mundo do futebol continua confinado às paredes das casas dos jogadores, sem saberem quando poderão regressar ao seu mundo real, que passa pelos treinos em primeira instância e pelos jogos a doer depois. É isso que os move a ficarem em casa, por mais paradoxal que isto pareça, ainda que a saturação possa ocorrer à medida que o tempo passa, o que requer um acompanhamento diferente e que acontecerá, por certo, se for necessário. O SC Braga acredita que consegue manter um plano individual específico, monitorizado a distância e que possa dar resultados quando o regresso “ao balneário” for uma realidade. Para já, joga-se sem jogar, o que me faz regressar muitos anos ao tempo em que era jovem, onde num terreno pelado improvisávamos duas balizas e jogávamos o “futebol sem bola”. Eram duelos interessantes, com marcações individuais, sempre com o objetivo de marcar golos e evitar sofrer, afinal a verdadeira essência do futebol real. Um golo era quando um jogador da minha equipa conseguia entrar na baliza adversária sem ser tocado por qualquer adversário e com ele surgia a festa natural de quem conseguiu marcar. Os tempos atuais são assim, com os jogadores a jogarem na playstation, onde nada é real, mas parece. Parece que as equipas jogam o tal “futebol sem bola”, numa indecisão temporal que preocupa toda a gente. Mas a vida voltará a ser normal, como era até há pouco tempo.

A outro nível, a Legião tem contactado com alguns jogadores da equipa principal através do programa “Duas de Letra”, inaugurado na semana passada. Os jogadores respondem à distância às questões, mais ou menos pertinentes, dos seus adeptos, o que acaba por criar alguma interação e descontração entre os elementos do plantel, como forma de tornar mais leve a pesada situação que este período representa. A tecnologia ajuda bastante ao convívio virtual dentro do grupo de trabalho e fortalece os laços de amizade existentes, mesmo que esteja longe de ser um “convívio em estado puro”, como diria o meu amigo Luís Freitas Lobo.

O pessoal da saúde vive numa luta permanente e arriscada para ajudar a população. Parece que de repente se conseguem ver as virtudes de médicos, enfermeiros e restante pessoal, que afinal sempre existiram, mas que agora surgem mais evidentes. Ainda que corra o risco de me tornar repetitivo, deixo a minha homenagem a “essa gente” nobre, cuja causa nobre maior é tentar salvar o maior número de vidas possível, mesmo sabendo que muitas vezes trabalham na “corda bamba”.

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