Conquista da Taça de Portugal 1966

Todo o norte vibrou com a vitória do Braga na "Taça de Portugal" de 1965/66. Foi uma vitória sem a mais pequena sombra. Final do povo o dia 22 de Maio de 1966 ficou para sempre gravada a letras de ouro na história do S.C. Braga . O Sporting Clube de Braga, 11º classificado no Campeonato Nacional desse ano, vence, com surpresa de alguns, mas om a justiça reconhecida por todos a 26ª edição da Taça de Portugal. E não foi fácil, pelo caminho os bracarenses deixaram de uma forma briosa, a Ovarense, o Atlético, os Açoreanos do Lusitânia, o Benfica (Campeão Europeu) e o Sporting (vencedor do campeonato da época) para defrontarem na final a categorizada formação setubalense, 5º classificado, detentor do Troféu e equipa que pouco tempo antes havia brindado o Braga com 7-1 para o Campeonato Nacional.
Vitória por 1-0 com golo de Perrichon.
Contrariando o natural favoritismo do antagonista, os futebolistas do Sporting de Braga, conseguiram realizar uma exibição notável. Por isso o tratamento de "heróis" com que foram apelidados e carinhosamente tratados tanto no Jamor como na entusiástica recepção em Braga.
A cidade havia-se mudado para Lisboa e Jamor transformou-se na mais popular romaria minhota. Os bracarenses acorreram aos milhares.
Em Braga o comércio fechou, organizaram-se excursões, alugou-se um comboio especial e levaram-se Zés Pereiras e muito, muito verde. Apostando na inteligência para controlar o adversário e tirando partido da sua altivez o Braga seduziu os 35000 espectadores presentes e calou a crítica especializada.
Manuel Palmeira, uma velha glória do clube, auxiliado pelo Secretário Técnico Sim-Sim, conduziu com mestria a equipa e a final plebeia - como lhe chamaram - transformou-se no mais nobre duelo disputado por duas equipas que honraram o emblema que tinham ao peito.
Em hora de recordações, não seria correcto distinguir nenhum atleta em particular, mas é impossível esquecer a grande exibição de Estevão ao "secar" Jaime Graça, e o golo, a 15 minutos do final, do argentino Perrichon.
O Braga, 11º classificado no campeonato nacional estava por direito próprio na Taça das Taças. Esta conquista - o mais belo feito do clube - traduz também e de uma forma vincada, o amor clubista com que a cidade e os associados em particular, nutrem pelo Sporting de Braga.
Toda a cidade empunhando bandeiras e dísticos alusivos, esperou a comitiva bracarense e em carro aberto, desfilou de Ferreiros até à Câmara Municipal e à sede do Clube.

Os onze magníficos: Armando, Mário, Juvenal, Coimbra, José Maria, Canário, Luciano, Bino, Adão, Perrichon e Estevão.



Jornal de Notícias de 24 de Maio de 1966, a Terça-feira seguinte à conquista da Taça de Portugal pelo nosso Sporting Clube de Braga.

Sob o título “Exaltado um Humilde, Humilhados os Grandes”, a reportagem dá conta, através de várias peças, das reacções à vitória do Braga e da recepção que a cidade lhe prestou no dia seguinte à vitória na Taça (com imagens e citações extraordinárias).
De entre algumas notas muito curiosas, deixo-lhes algumas preciosidades: “A primeira metade da prova não foi de dificuldades sérias para os minhotos, pois couberam-lhe a Ovarense, o Atlético e o Lusitânia de Angra. Mas a segunda metade da competição foi bem recheada de dificuldades.
Primeiro, apareceu-lhe pela frente um Benfica ainda campeão. Eliminado este, surgiu-lhe um Sporting já campeão. E, finalmente, no encontro decisivo, um Vitória de Setúbal que um ano antes estivera na final da Taça e, mais que isso, a vencera, derrotando o Benfica.”
E mais adiante: “Um feito extraordinário, dadas as condições em que o obteve, pois teve de arredar do seu caminho dois campeões e, na final, lhe viu serem negadas duas grandes penalidades. (…) Naturalmente, como o triunfo premiou a equipa e a encheu de júbilo, nem se falará mais nisso. Mas ficaram provas evidentes dos erros do árbitro Braga Barros. Erros que não queremos, necessariamente, considerar ou taxar de intencionais. Erros apenas – e erros de árbitro de futebol, que os não há sem erros.”
“Mal refeita das emoções vividas na véspera, a cidade de Braga aguardou, excitada, o dia de ontem.
É que a Taça de Portugal, conquistada com mérito absoluto no Estádio Nacional chegaria por fim, e com ela os jogadores que tão briosamente a souberam conquistar.
Nem a suave brisa matinal de um dia que se anunciava quente, conseguiu refrescar o fogo em que a cidade ardia, combustão apressada de uma euforia que tinha feito esquecer aos bracarenses a noção do tempo e da distância que os separava da capital.
Os que de lá iam chegando eram as melhores testemunhas de uma proeza única no historial do Sporting bracarense.
Eles tinham visto como e porque a Taça escolhera Braga por capital; eles traziam ainda nos olhos e nas gargantas o brilho quase metálico de uma vitória que de cada um era e de todos o não poderia também deixar de ser.
Braga adormecera nesse doce enlevo, sonhando com um amanhã festivo, válvula de escape de uma alegria grande demais para caber no coração.
E não houve quem o pudesse calar nas suas fortes e descompassadas pulsações. Que nem todos os dias são de alegria. Mas o de ontem era e continuará a sê-lo, porque se a dor não esquece, o júbilo é sempre uma saudade gravada na alma de quem o sente.
E como Braga o viveu, sentiu e a ele se afeiçoou. Tanto que, muito antes da hora anunciada para a chegada dos jogadores, o bracarense correu para o local da recepção prevista e fortemente desejada, ali para os lados da Rodovia. E já não interessava como lá chegar: se a pé, de carro, de bicicleta.
O que interessava era estar presente, ser o primeiro a ovacionar os jogadores, a ver a Taça - essa jovem senhora, à minhota vestida. Louça que ela se apresentou nessa sua primeira visita a Braga! Feiticeira mesmo, que não houve olhos que a ela não se prendessem.
Também o dia auxiliara. De soalheiro até escaldava. Quentura maior, só na Freguesia de Ferreiros, quando a caravana ali chegou às 14:30. Foguetes estalaram, buzinas de centenas e centenas de automóveis ensurdeceram os ares, a multidão comprimida e ansiosa irrompeu em vivas, em palmas, cada um expressando à sua maneira a alegria de uma vitória sem igual.
Ali, eram raparigas com enormes bandeiras e cartazes cantando, sem parar “a Taça é nossa e há-de ser até morrer”; além, os estudantes saudando, esfuziantes, o feito dos arsenalistas; quase perdidos na distância que os separava do pronto-socorro dos Bombeiros Voluntários de Braga que, a partir de Tebosa, os jogadores fizeram os dois quilómetros que os separavam dos Paços do Concelho.
Nunca tão pequena distância terá demorado tanto tempo a percorrer. Hora e meia foi o tempo preciso; hora e meia triunfal, empolgante, a fazer inveja ao mais animado e frequentado “S. João”. Porque não faltaram bombas, nem danças, e muito menos os cantares.
Quase seria impossível acreditar que alguém tivesse ficado em casa, de tanta a gente que encheu de caprichosas ondulações a extensa Avenida Marechal Gomes da Costa. Mas houve quem assim o fizesse, e por bem aconteceu. Quando o cortejo triunfal atravessou a Avenida Marechal Gomes da Costa, uma chuva de pétalas de flores e miríades de papelinhos multicolores desabaram das janelas.
Então foi o delírio, o apogeu de uma jornada magnífica de vibração e bairrismo, que do Vale do Jamor brotara, como fruto melhor da persistência e do brio de uma equipa em quem a cidade de Braga nunca deixara de acreditar, tamanhas vinham a ser as proezas percursoras dessoutra consumada e tão euforicamente festejada.
Por isso os vivas, o transportar os jogadores em triunfo, e cada um desejar fazer chegar aos jogadores o testemunho do seu apreço, o obrigado pela vitória conseguida.
Se tal já acontecera na Avenida Marechal Gomes da Costa, voltou a repetir-se na Praça da República, na Arcadia, onde a multidão cresceu em número, entusiasmo e manifestações de uma alegria tão refulgente como o Sol estival que dourejou um dia inesquecível.”


Mais algumas fotos da época.








 
 
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